quinta-feira, 3 de Dezembro de 2009

Por vezes tenho pesadelos, sonhos negros que me assombram, aquelas vivências que acontecem no meu inconsciente em que tu me deixas de mil e uma formas por mil e uma razões. Nesses dias acordo com medo, depois de muito me virar na cama, de me contorcer numa dor que o meu corpo não sente… Nesses dias fico frágil, como se nos fossemos quebrar, qual jarra de cristal! E nesses dias as minhas inseguranças elevam-se a infinitos e eu caio sem razão aparente, num obstáculo que mais ninguém viu… E é nesse momento, quando te dás para me amparar a queda, quando me arrancas do chão e enxugas as minhas lágrimas invisíveis, que eu te olho nos olhos e pergunto a medo “Are we going down or will we fly?”, tu fitas-me igualmente e proferes, em tom de resposta que nada elucida, “This could be a shipwreck on the shore or we could sail away forevermore”. Eu sorrio por dentro, sabendo que, como não és mais vidente que eu, também o futuro desconheces. E assim juntos partilhamos a insegurança, sempre na esperança que o nosso avião voe, que a nossa nau navegue…

quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

Tu podias ser ideal, o príncipe perfeito com que todas sonham. Podias ser o cavalheiro que segura sempre a porta à donzela e que me lisonjeia a todo o momento. Terias um gosto requintado, serias educado e cuidadoso em tudo o que fazes. Dar-me-ias todo o espaço e tempo do mundo e nunca, mas mesmo nunca me farias esperar, nem um minuto que fosse. Nunca te passaria pela cabeça ver os meus olhos lavados em lágrimas por ti causadas. Podias ser mesmo um futuro garantido, seguro, confortável para mim. E, assim sendo, todas as minhas amigas teriam ciúmes, todas elas apaixonadas pelas tuas acções…todas mas mesmo todas, menos eu. Eu sei que não te amaria se assim fosse, não sentiria a paixão que as nossas discussões, altas em tom de voz, me proporcionam. Não sentiria a emoção que é o cair das minhas lágrimas compassado com o fustigar da chuva. Nem tão pouco sentiria a loucura, a demência que somos no nosso próprio mundo. Não sentiria saudade ao te ver partir, nem ficaria ansiosa na perspectiva de te ver voltar. Não seriamos um mistério, não haveria a incerteza que nos deixa em bicos de pés. Não sentiria a necessidade de lutar e de ser melhor por nós e para ti. Se assim perfeito fosses, posso eu afirmar que, com certeza, não sentiria…

quarta-feira, 14 de Outubro de 2009

E a chuva caía
Enquanto me dizias tudo o que não queria ouvir,
A chuva caía
E reflectia tudo o que eu estava a sentir.

E a chuva caía,
Ao ritmo das minhas lágrimas de dor,
A chuva caía
Contra o meu corpo, lavando o calor.

E a chuva caía
Enquanto eu deixava de te sentir em mim,
A chuva caía
E, eu própria, me deixei cair num pranto sem fim.

E a chuva caía,
Como que lavando um amor.
E ainda hoje, quando a chuva cai forte,
Eu relembro aquela dor.

terça-feira, 8 de Setembro de 2009

Vamos fugir para outro mundo, correndo em paços dançantes. Connosco levamos apenas cores e sorrisos, loucura e amor, e uma canção antiga que desperta, no coração, um quentinho maior.
Tu serás o meu Jude e eu a tua Lucy e vamos em busca de aventura, procurando o Walrus, o Mr. Kite e a beleza infindável dos Strawberry Fields. Nas noites de frio deitamo-nos juntos, tu embalas-me sussurrando Something no meu ouvido e eu, no meu sono sob o céu estrelado, sonho com um outro céu, repleto de diamantes.
E no fim do dia, quentes e cansados, regressamos ao mundo que os outros chamam realidade, a cara cheia com sorrisos que eles não entendem e, se tu me perguntares porque não, eu dir-te-ei que é porque não sabem que gostar de ti é mesmo assim, viver Across The Universe.

segunda-feira, 10 de Agosto de 2009

Eu
Que fui rainha e imperatriz de continentes, mares e de Paris, que dancei os mais delicados bailados, emocionantes, belos, que só vistos e não contados, que fui guerreira por todo um povo, lutando por mim, pelo velho e pelo novo, que corri terra e mares sem nunca me cansar, sempre à procura de quem não me fizesse chorar, que era só e só caminhava, ao meu passo tão monótono, que nunca parava, eu… que paro o meu mundo se tu não estás, que sinto a saudade por tudo o que deixas para trás, que rearranjo a minha dança para que juntos dancemos em equilíbrio nesta balança, que dou voz à tua razão e luto pelos desejos do teu coração, que abraço os teus horizontes e subo contigo os mais altos montes, que acerto o meu passo monótono ao teu caminhar, só para nunca te deixar
Por ti

quarta-feira, 8 de Julho de 2009

Poema Vivo

Do teu sorriso,
Belo e contagiante,
Roubei a intocável confiança.

Da tua boca,
Suave e perfeita,
Roubei os beijos de verão.

Do teu toque,
Firme e seguro,
Roubei a infindável energia.

Do teu coração,
Quente e amável,
Roubei o calor da paixão.

E, contigo em mim,
Desenhei as palavras
Que compõem este poema vivo,
Que és tu…

sábado, 23 de Maio de 2009

Há brilhos nos olhos que não se varrem…
Há amores que nunca extinguem…
Há sorrisos que batalham com ardor
Contra os ódios e a dor!

Há mágoas que, em vão, tentamos lavar…
Há feridas que não podemos fechar…
Há um pranto que não se deixa dormir
Até um mundo destruir!

Há sóis que nunca se vão apagar
E cortinas que não se fecham…
Há chuvas que não vão acalmar
E forças que nos deixam…

Há sempre uma esperança à espreita no horizonte,
Não importa quantas chagas existam!
Há pés que não se cansam de subir o monte,
Até que a felicidade consigam!

sexta-feira, 8 de Maio de 2009

Meu amor,
Hoje despertei para um mundo sem cor, sem cheiros, sem sorrisos nem paixões. Hoje despertei só, sem ti ao meu lado…podia espreguiçar-me e deitar-me da forma que mais me aprouvesse pois tinha a cama inteirinha só para mim. No entanto, fiquei encolhida, como um feto na barriga da mãe, bem do teu lado, agarrada ao cheiro tão teu que ficou na almofada.
Tenho devorado ilusões pela manhã e de noite, aqueles sonhos doces que tão bem me sabem. Durante o dia apenas a tristeza e a saudade, ambas bastante amargas. E são estas as únicas coisas que me lembram os sabores do mundo, pois o resto raramente sabe ao que quer que seja.
Deste lado do mundo o sol tem brilhado todos os dias, para os outros é de um amarelo intenso, para mim perdeu a cor, é mais a preto e branco, só mais uma fonte de tristeza nesta selva de betão a que chamamos casa. Na verdade preferia que estivesse a chover, adequava-se mais ao meu estado de espírito e sempre ajudava a esconder as lágrimas que teimam em cair.
E desse lado, como está o tempo? Como flui essa cidade tão cheia de gente vazia? E como estás tu, meu amor, desse lado, sem mim? Será que também sentes a minha falta?

Só espero que voltes depressa com beijos e sorrisos para me oferecer.

P.S. O relógio que me ofereces-te parece estar zangado comigo, anda cada vez mais devagar desde o dia em que foste embora e eu, de tão sufocada que ando com esta ansiedade, não tenho paciência nem vontade para descobrir porque se chateou.